22/08/2025 às 14:07

A travessia do cavalo, ao lado dos sábios Pretos Velhos

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Depois da dor, veio o silêncio. E depois do silêncio, veio o sopro.

Não era mais terra, barro, dor. Era névoa leve, branca, azulada, um caminho sem estrada, feito de lembrança e vento.

O cavalo, que em Bananal tombou ferido, agora caminhava entre dois mundos, num campo onde o tempo não pesa e a dor não morde mais.

Seu corpo não era mais feito de músculo e sangue, mas de brilho sutil, como se a alma tivesse aprendido a ser brisa. Cada passo que dava ecoava como tambor distante, como se o próprio universo o saudasse: “Chegaste, guardião… agora és espírito em forma de beleza.”

Não havia ferraduras. Seus cascos tocavam o chão de estrelas com leveza de oração. As árvores se curvavam, os pássaros silenciavam, e os rios espirituais refletiam sua imagem como se fosse lenda.

E ele lembrava… lembrava do carinho de uma criança, do cheiro da terra molhada após a chuva, do pôr do sol visto atrás das cercas, do frio na pele nas manhãs sem nome.

Mas lembrava também da dor. Do abandono. Do corte. Do medo.

E então, chorou. Sim, mesmo em espírito, o cavalo chorou. Lágrimas que não molhavam, mas purificavam.

Foi quando surgiram eles: os Velhos do Tempo, as almas ancestrais que cuidam dos esquecidos. Com suas mãos enrugadas de eternidade, os Pretos Velhos afagaram sua crina luminosa. E Maria Conga disse:

“Chora, meu fio… chora tudo o que ficou preso na carne. Porque agora, tu és livre. Livre pra correr onde a injustiça não te alcança, e onde o amor não tem fim.”

E o cavalo correu. Oh, como ele correu… Não para fugir, mas para abraçar o que lhe era de direito desde o início: a paz.

Hoje, ele galopa entre os campos do astral, levando nos olhos a doçura dos mansos e nos cascos a força dos que suportaram o impensável.

É guia de outros animais que chegam feridos. É consolo de espíritos que perderam a fé. É símbolo de que, mesmo quando a maldade vence por um instante, o amor sempre chega depois, e chega pra sempre.

Axé, cavalo que virou constelação. Que tua presença invisível nos lembre: até o mais humilde dos seres pode renascer em beleza quando o Céu decide curar com ternura.

Axé

Cássia Alves

📖 Créditos: Diário Espírita









22 Ago 2025

A travessia do cavalo, ao lado dos sábios Pretos Velhos

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